Os tênis da Salomon nem sempre foram sinônimo de estilo. Heikki Salonen, recém-nomeado diretor criativo da marca, está determinado a resgatar a autenticidade que atraiu um público mais descolado ao icônico rótulo francês. “Quando comecei, eu acreditava firmemente que a Salomon não deveria ser uma marca de moda”, compartilha Salonen, em uma videochamada a partir da sede da empresa em Annecy, no sudeste da França. Ele enfatiza a importância de manter o foco na performance, mas de uma maneira inovadora.
Desde sua chegada em janeiro, Salonen, que tem um histórico como diretor criativo da linha MM6 da Maison Margiela, trouxe uma nova visão que reflete as mudanças do mercado. Antes de sua chegada, a Salomon já havia rompido barreiras, passando de uma marca voltada para entusiastas de esportes ao ar livre para um fenômeno de moda, especialmente impulsionada por colaborações com boutiques parisienses e um crescimento explosivo do movimento Gorpcore, que ganhou força durante a pandemia.

O crescimento da categoria “Sportstyle” da Salomon, que surgiu em resposta à demanda por tênis de moda e estilo de vida, é um indicativo claro dessa transformação. Lançamentos como o XT-Whisper, que ganhou destaque com a rapper Dina Ayada, têm atraído um público mais jovem e predominantemente feminino, refletindo uma mudança significativa na demografia da marca. Em um passado recente, a Salomon era vista como uma marca voltada para o público masculino, mas hoje essa divisão é de 45% mulheres e 55% homens, um reflexo da evolução do mercado.
O foco na inovação e na diversidade
Guillaume Meyzenq, CEO da Salomon, destaca que essa jornada de transformação começou há quase 80 anos, quando a marca se estabeleceu como especialista em equipamentos de inverno. A transição para uma marca de estilo de vida, que abrange desde commuters até ultramaratonistas, é um testemunho do crescimento e adaptação da Salomon. O que estava antes reservado para um nicho específico agora se expandiu, e com isso, a Salomon viu um aumento significativo em suas vendas, atingindo mais de 2 bilhões de dólares no quarto trimestre fiscal de 2025.

O sucesso financeiro da Salomon é inegável. A empresa-mãe, a Amer Sports, que também possui marcas como Wilson e Arc'teryx, viu suas receitas crescerem 26% em relação ao ano anterior, com a divisão de outdoor performance, impulsionada pelos produtos de vestuário e calçados da Salomon, liderando esse crescimento. No entanto, a marca não se acomoda. A intenção é equilibrar sua imagem, reforçando a linha técnica enquanto se expande em novas categorias de moda.
O modelo de negócios está em evolução. Em vez de apenas se aprofundar na estratégia de estilo de vida, Salonen e Meyzenq buscam integrar as diferentes verticais da marca, uma mudança que já está em andamento. Com experiências prévias que envolvem consultoria em linhas avançadas e a sobreposição de categorias, Salonen acredita que é possível criar um ecossistema coeso entre o que é técnico e o que é estiloso.

Assim, a Salomon se posiciona em uma nova era, onde a performance e o estilo não são mutuamente exclusivos, mas sim complementares. Com um olhar atento às tendências e um compromisso com a inovação, a marca está pronta para conquistar não apenas os amantes do esporte, mas também os fashionistas de plantão.
