Diana Vreeland, um dos nomes mais emblemáticos da moda, não se destacou apenas por seus looks extravagantes, mas também por sua visão singular sobre a vida. Sua excentricidade, quase lendária, se manifestou em sua coluna “Why Don’t You?”, onde oferecia conselhos inusitados sobre como viver com estilo. Agora, essa abordagem é revitalizada por Lynette Nylander, diretora digital da Harper’s Bazaar, que promete trazer à tona as melhores dicas para uma vida cheia de decadência e ousadia, tão características da própria Vreeland.
Setembro, para a Harper’s Bazaar, é sinônimo de ícones, e ninguém representa isso melhor do que Vreeland. Ao relembrar seu legado fabuloso, Nylander explora os adágios e as recomendações que marcaram a trajetória da editora. Um dos toques pessoais de Vreeland era seu perfume favorito, o Cyprès da Rigaud, uma fragrância que ela introduziu em sua casa e escritório, criando uma atmosfera que encantava a todos. Segundo Claudia Izabel Morgan, atual diretora criativa da marca, Vreeland foi fundamental para que Jackie Kennedy conhecesse o perfume, que mais tarde aromatizou a Casa Branca.

Vreeland tinha uma habilidade inata de misturar o luxo e o cotidiano. Durante seu tempo na Harper’s Bazaar, que durou 26 anos, ela combinou marcas de alta costura como Valentino, Balenciaga e Chanel com peças mais acessíveis. Sua paixão por jeans era notória; em uma ocasião, declarou que “blue jeans são as coisas mais lindas desde a gôndola”. Ela foi pioneira ao vestir modelos com sandálias e biquínis, quebrando barreiras e trazendo um novo olhar para a moda.
Em um perfil de 1975 na New Yorker, George W.S. Trow a descreveu como uma das poucas mulheres na moda com uma sintaxe interessante, e ele estava absolutamente certo. Cada palavra que saia de sua boca tinha um impacto inegável, e sua coluna “Why Don’t You?” repleta de dicas extravagantes, como “Por que você não ... tem um baú de pele de alce para o porta-malas do seu carro?” ou “Por que você não ... usa abacaxis como decoração?”, refletia sua convicção inabalável sobre o estilo de vida.

Além de seu amor por moda, Vreeland tinha uma conexão profunda com o espiritual. Sua sobrinha-neta, Catherine, revela que ela era fascinada por cristais e acreditava em seu poder inato. Vreeland mantinha um recipiente de sândalo fresco ao lado da cama, uma prática que, segundo Catherine, se alinhava perfeitamente à sua personalidade de “Imperatriz da Moda”, evocando até mesmo a carta do tarot da Imperatriz.
Antes de se tornar uma referência em revistas de moda, Vreeland gerenciou uma loja de lingerie em Londres nos anos 30, onde vendia peças para figuras como Wallis Simpson. Após seu tempo na Harper’s Bazaar, que se estendeu de 1936 a 1962, ela foi editora-chefe da Vogue até ser demitida em 1971. No entanto, sua trajetória não terminou ali. Tornou-se consultora especial do Costume Institute do Metropolitan Museum of Art, onde moldou a curadoria de exposições anuais e elevou o status do Met Gala, um evento que hoje é sinônimo de glamour e celebridades.

Assim, ao refletir sobre o legado de Diana Vreeland, somos inspirados a viver com a mesma audácia e estilo que ela personificou. Sua vida e obra continuam a ser um guia para aqueles que buscam não apenas se vestir bem, mas também abraçar a singularidade de cada momento.
