O desfile, que prometia ser um renascimento, aconteceu em um ambiente que evocava mistério e sofisticação. Com uma carreira que se estende por quase três décadas, Theyskens é a mente criativa por trás de coleções icônicas, desde seu início em Bruxelas até seu trabalho em casas de moda renomadas como Rochas e Nina Ricci. Agora, ele traz ao mundo uma nova proposta que combina seu estilo gótico-romântico com uma visão contemporânea.
Boloria, nome inspirado em uma subfamília de borboletas, reflete a beleza efêmera da vida, um conceito que o designer levou dois anos para moldar antes de finalmente se sentir pronto para revelá-lo ao público. Apoiado pela We Are One World, a empresa belga por trás do festival Tomorrowland, a coleção fez sua estreia em um formato co-ed, ou como Theyskens descreveu, "silhuetas para todos os gêneros".
A Magia do Desfile
Intitulado “Le Monde Flottant” (“O Mundo Flutuante”), o tema da coleção remete ao conceito japonês de ukiyo, que explora a impermanência e a beleza passageira. No desfile, as linhas acolchoadas e as silhuetas inspiradas na antiguidade se uniram em uma narrativa de metamorfose, ao som pulsante do techno industrial. O local escolhido, o Lycée Carnot, foi mergulhado em quase total escuridão, com caixas de luz brilhantes criando um contraste dramático.

A apresentação começou de forma grandiosa, com um vestido de noite azul-escuro que exibia uma cintura knotted e uma saia volumosa, digna de uma noiva couture. Em seguida, surgiram vestidos de tulle drapeados e sem alças, incluindo um que trazia bordados de peixes cintilantes, seguido por um vestido de seda em tom areia, com um decote suavemente drapeado e painéis esvoaçantes.
Como Theyskens descreveu, a coleção inicia-se com uma sequência que representa um sonho: "Uma alegoria da imensidão e do espaço... um sonho que vai além de cada dimensão de um ser humano. E então você acorda, e está na realidade da vida, com as roupas". Essa realidade se materializou em um elegante conjunto de saia e blazer em Lurex bronze, que contrastava com a fluidas silhuetas masculinas, que oscilaram entre a fluidez monástica e o tailoring andrógino.
Entre os destaques, um trench coat preto volumoso sobre uma blusa longa e calças de cetim, além de um casaco camelo com ombros exagerados, combinado com calças plissadas. Os detalhes, como gravatas finas penduradas, serviam mais como toques de cor do que como acessórios formais, um toque do stylist Olivier Rizzo.

Sophie Abriat, autora e repórter de moda em Paris, destacou a profundidade emocional do trabalho de Theyskens, ressaltando que suas criações são mais do que roupas; elas contam histórias e proporcionam uma forma necessária de escapismo. Em um mundo onde a moda europeia é frequentemente filtrada por fantasias do tipo "Emily em Paris", Theyskens apresenta uma visão mais autêntica e enraizada.
"Sou meio belga. Penso nas planícies flamengas, em Bruxelas, em um senso de realeza. Existe uma certa burguesia, mas é muito diferente da burguesia francesa", afirmou o designer. Com Theyskens, a geografia não se resume a postais; ela se transforma em construções únicas que capturam a essência de sua rica herança.
