Certa noite de inverno em Brooklyn, uma vitrine na Atlantic Avenue capturou meu olhar. Uma vendedora exibia um visual que misturava ousadia e simplicidade: um suéter de tricô preto, preso por um imponente alfinete de segurança. A peça, que brincava com a silhueta, conferia à mulher um ar descolado e autêntico. Intrigada, fui até o Etsy em busca de algo semelhante e, por menos de cinco reais, encontrei o que procurava. Contudo, essa busca me levou a descobrir um universo de alfinetes que, nos últimos tempos, ressurgiram com força nas passarelas e nas redes sociais, adornando as coleções de marcas como Chanel, Tory Burch e Armani.


A evolução do alfinete de segurança é fascinante. Recentemente, designers contemporâneos têm reinterpretado essa peça clássica, transformando-a em joias sofisticadas. Ilaria Icardi, por exemplo, criou um pingente de alfinete de segurança em ouro 18 quilates, enquanto Tessa Tran, da Chan Luu, estilizou-os em broches adornados com charmes. Anita Ko, por sua vez, adicionou diamantes a suas versões de brincos. Para Icardi, que é diretora de design de moda feminina na Prada, o alfinete é a beleza em um objeto cotidiano: “Ele une coisas e pode ser usado de várias maneiras, tornando-se único para cada pessoa”, revelou em uma conversa por e-mail.



A história do alfinete de segurança é marcada por utilidade e contracultura. Criado em 1849, ele se tornou um acessório essencial, especialmente em tempos de guerra, utilizado por soldados, marinheiros e mães em busca de praticidade. O designer Luca di Stanio, responsável pelo design de moda feminina da Prada, frequentemente usa um alfinete de segurança como pingente, adicionando um toque contemporâneo a suas produções. Ele combina essa peça, muitas vezes, com camisetas e casacos, conferindo um ar despojado e moderno ao seu estilo.



No entanto, o que torna o alfinete de segurança tão cativante? Antes de sua ascensão como ícone da moda, ele era um símbolo de rebeldia. Na década de 1970, figuras como Johnny Rotten, dos Sex Pistols, e Richard Hell, da banda Television, usaram alfinetes tanto como adereços de moda quanto como elementos de perfuração corporal. Designers visionários, como Vivienne Westwood e Malcolm McLaren, começaram a incorporá-los em suas coleções, vendendo peças ousadas em sua loja, a Sex, que se tornou um marco da moda punk.


O alfinete de segurança passou a ser uma declaração de estilo e atitude. Em 1977, a coleção “Conceptual Chic” da estilista Zandra Rhodes apresentou vestidos de rayon propositadamente rasgados e presos por alfinetes decorados com pérolas, um dos primeiros passos em direção à sofisticação desse acessório polarizador. O estilista britânico Judy Blame, no mesmo ano, transformou o alfinete em joia, criando peças exclusivas para artistas como Björk. Nos anos 90, nomes como Jean Paul Gaultier e Gianni Versace trouxeram o alfinete para o centro das atenções, utilizando-o como fecho em suas criações.



Um dos momentos mais icônicos ocorreu em 1994, quando Elizabeth Hurley usou um vestido preso por alfinetes de ouro na estreia de Quatro Casamentos e Um Funeral. Desde então, marcas como Moschino, Balmain e John Galliano têm explorado essa temática, adicionando uma dose de sofisticação a esse símbolo subversivo. Recentemente, na cerimônia do Grammy 2024, Miley Cyrus desfilou um vestido feito com 14.000 alfinetes de segurança, uma obra-prima da Maison Margiela sob a direção de Galliano, que fez referência à estética punk e ao poder de reinvenção desse acessório atemporal.


