Após deixar seu segundo emprego, Stephanie Suberville se entrega de corpo e alma à sua marca, Heirlome. Essa decisão permitiu que a designer explorasse novas possibilidades e se envolvesse ainda mais com a confecção de suas peças. "Na verdade, acabei fazendo os modelos eu mesma, porque estava adorando trabalhar com minhas mãos", compartilha Suberville, com entusiasmo.
A coleção Resort 2027 destaca-se pela complexidade e pela atenção aos detalhes. O look de abertura, uma combinação de blusa e saia com tiras de tecido que caem suavemente na parte frontal, é feito de bandas de tecido cuidadosamente cortadas e costuradas. Mas essa é apenas uma das muitas criações elaboradas que exigem tempo e dedicação. Um vestido strapless com franzidos e cordões, por exemplo, utiliza 12 jardas de tecido e levou três dias para ser confeccionado, com sete horas dedicadas apenas ao franzido.
Uma narrativa visual rica em simbolismo
Os elementos da coleção refletem a assinatura de Suberville, que mais uma vez incorpora borlas e colabora com seus parceiros de longa data, a Madres y Artesanas Tex, para a confecção de malhas. A designer batizou o padrão desta temporada de "miel", em referência às formas de colmeia que permeiam suas criações. Mas não são apenas as abelhas que habitam o universo Heirlome; uma serpente, criada pelas mãos do artesão Luis Manuel Morales, também faz parte da narrativa. Para Morales, o réptil simboliza a moda, pois, ao trocar de pele, representa a transformação e o renascimento, conceitos profundamente enraizados em sua cultura Purhépecha.
Com isso em mente, Suberville optou por sobrepor uma organza translúcida, que remete à pele, sobre uma saia estampada, criando uma sinergia entre os elementos. Sua habilidade em trabalhar com geometria é notável, transformando linhas retas em drapeados fluidos que brincam com o corte e a tensão do tecido. Um deslumbrante vestido vermelho, que evoca uma aura de deusa, se encaixaria perfeitamente na seção clássica da exposição "Costume Art" do Costume Institute no Met.
Suberville explica que "o vestido de baixo é, na verdade, um vestido completo, e a parte de cima é apenas um quadrado que foi pinçado e drapeado". Essa simplicidade aparente esconde a engenhosidade da construção, revelando o verdadeiro valor do trabalho manual e da dedicação que permeiam a coleção.