Coty: Uma Nova Era em meio a Desafios e Oportunidades

Coty: Uma Nova Era em meio a Desafios e Oportunidades

No primeiro trimestre de 2027, a Coty, grupo francês de beleza, reportou uma queda de 2% nas vendas, refletindo uma trajetória de recuperação em mercados-chave. O executivo Markus Strobel aponta para um futuro promissor, apesar dos desafios atuais.

A Coty, conhecida por suas marcas prestigiadas como Burberry e Calvin Klein, revelou que, apesar de um declínio de 2% nas vendas comparáveis no primeiro trimestre de 2027, a situação atual é um sinal de melhora em relação ao ano anterior. No mesmo período do ano passado, as receitas tinham caído 6%, e a tendência negativa continuou com uma redução de 4% na segunda metade do ano fiscal de 2026.

O executivo chair e CEO interino, Markus Strobel, destacou que essa estabilização, que foi de -1% no quarto trimestre de 2026, pode ser atribuída ao crescimento em mercados importantes como os Estados Unidos, Ásia-Pacífico e América Latina. A empresa também tem se beneficiado de um reinvestimento estratégico em seu segmento de prestígio, que inclui marcas renomadas.

Caminhos para a recuperação

Strobel se mostrou cauteloso ao se referir a esse avanço como “brotações verdes”, expressando esperança de que esses sinais de vida se traduzam em um crescimento positivo ao longo do tempo. “Como já mencionamos, 2027 será um ano de transição”, comentou em uma declaração divulgada na quarta-feira. “Esperamos que a recuperação seja desigual, e a implementação levará tempo. Sabemos que a confiança é conquistada por meio de entregas consistentes, e nosso objetivo é melhorar gradualmente a execução e traduzi-la em valor para os acionistas nos anos futuros.”

A estratégia de recuperação da Coty, chamada Coty.Curated, foi colocada em prática no último ano fiscal e inclui uma reestruturação organizacional e de custos, com a intenção de aumentar a conversão através do reinvestimento em seu portfólio de marcas. O segmento de prestígio, em particular, está vendo os melhores resultados. As receitas líquidas desse segmento caíram 1%, totalizando 1,1 bilhão de dólares no primeiro trimestre, em comparação com uma queda de 4% no mesmo período do ano anterior, representando 68% das vendas totais.

Um dos focos da Coty tem sido concentrar investimentos nas suas seis principais marcas de prestígio, que incluem Burberry, Hugo Boss, Calvin Klein, Marc Jacobs, Chloé e Kylie Cosmetics. Juntas, essas marcas representaram 73% das vendas de prestígio no primeiro trimestre. Strobel destacou o sucesso de novos lançamentos, como Boss Bottled Beyond for Her e Burberry Goddess Amber Vanilla.

A recente extensão de 40 anos da licença da marca Marc Jacobs, que a Coty detém desde 2003, também é um passo significativo. A empresa planeja expandir a marca em várias categorias após o relançamento bem-sucedido da Marc Jacobs Beauty em maio, que tinha sido descontinuada em 2021. Strobel afirmou que o novo lançamento está indo muito bem nos EUA, Reino Unido, Canadá e Austrália.

Entretanto, a recuperação do segmento de beleza voltada ao consumidor, que inclui marcas como CoverGirl e Rimmel, está sendo um pouco mais lenta. Apesar de a queda nas vendas comparáveis ter diminuído de 8% para 3% em relação ao primeiro semestre de 2026, o segmento ainda permanece negativo, com receitas líquidas de 496,8 milhões de dólares no primeiro trimestre.

A região da Ásia-Pacífico apresentou crescimento em ambos os segmentos, com vendas subindo 8% para 192 milhões de dólares, impulsionadas por um aumento nas vendas na China e no Sudeste Asiático. Nas Américas, as vendas se mantiveram estáveis em 653 milhões de dólares, com destaque para o Brasil. No entanto, na região EMEA (Europa, Oriente Médio e África), as receitas caíram 5%, totalizando 710 milhões de dólares, devido a vendas mais baixas no Oriente Médio e na Europa.

Para o segundo trimestre, a Coty espera um declínio de um dígito baixo, consistente com os resultados dos últimos dois trimestres. A empresa, no entanto, ainda não divulga suas projeções para o ano completo, enquanto se prepara para reverter o crescimento negativo observado ao longo de 2026.

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