As tendências em cuidados com a pele costumam mudar rapidamente, e a cada nova descoberta, um novo padrão de beleza surge. O brilho natural, por exemplo, foi sucedido pela pele de vidro, que por sua vez deu lugar ao desejado aspecto iluminado de dentro para fora. Agora, a palavra da vez no vocabulário dermatológico é a densidade da pele. Em vez de apenas se preocupar em suavizar linhas e aumentar a luminosidade, o foco se volta para a estrutura interna da pele.
A dermatologista Caitriona Ryan explica que a diferença entre o brilho e a densidade está na profundidade. Enquanto o brilho é uma conversa superficial, influenciada por hidratação, pigmentação e a condição da epiderme, a densidade reflete a saúde interna da pele. “A densidade vai mais fundo; ela reflete o conteúdo de colágeno, a integridade da elastina e o efeito de amortecimento do ácido hialurônico”, detalha Ryan. Em essência, a densidade é o que diferencia a pele que fotografa bem daquela que é estruturalmente saudável.

Todo esse processo ocorre na derme, a camada viva onde residem as células produtoras de colágeno. A médica estética Maude Calveley complementa: “Você pode ter a pele quase livre de linhas, mas ainda assim ser fina e papirácea, o que indica baixa densidade.” Essa explicação ajuda a entender por que algumas pessoas mantêm a estrutura facial por décadas, enquanto outras, apesar da falta de rugas, parecem cansadas.
A densidade da pele pode ser medida de forma objetiva com ultrassom de alta frequência, mas a biópsia é considerada o padrão ouro. Mas por que essa densidade diminui ao longo do tempo? A resposta não é simples; diversos processos ocorrem simultaneamente. “Com o envelhecimento natural, os fibroblastos, que são as células do tecido conjuntivo na derme responsáveis pela produção de colágeno, diminuem sua atividade. Isso é agravado por danos causados pelo sol, estresse oxidativo e alterações hormonais”, explica Calveley.

Além disso, os enzimas que quebram o colágeno tornam-se mais ativos, resultando em uma estrutura que se afina e desgasta rapidamente. A junção entre as duas camadas da pele, que normalmente se entrelaçam para garantir força, se achata e perde suas proteínas de ancoragem. Isso explica, segundo Calveley, por que a pele mais velha é mais suscetível a cortes e hematomas. “O sol é o maior responsável por isso e o fator que você pode controlar”, acrescenta. O declínio do colágeno se acelera especialmente em torno da menopausa, quando os níveis de estrogênio diminuem, intensificando o problema.
Embora a diminuição da densidade possa parecer uma questão exclusiva da idade, o British Journal of Dermatology aponta que, a partir dos 20 anos, a pele perde cerca de um por cento de colágeno anualmente. A boa notícia é que a densidade pode ser reconstruída até certo ponto. Com uma abordagem clara sobre o que realmente funciona e o que é apenas marketing, é possível estabelecer uma estratégia eficaz. No tratamento tópico, um ingrediente se destaca: os retinoides. “Os retinoides são os campeões nesse aspecto”, afirma Calveley. “O tretinoína, em prescrição, é o único ingrediente comprovado por biópsia em um estudo pioneiro que realmente promove a formação de novo colágeno.” O ácido ascórbico, ou vitamina C, também é essencial, pois a pele não consegue produzir colágeno sem ele, embora seus resultados sejam mais modestos e dependam da formulação utilizada.
