Em um dia ventoso e ensolarado em Copenhague, a Collina Strada trouxe sua inconfundível fantasia diretamente de Nova Iorque, deixando um rastro de brilho ao longo do porto dinamarquês. A designer Hillary Taymour, convidada oficial da Copenhagen Fashion Week, apresentou sua coleção pré-primavera 2027, intitulada 'Delirium in Bloom', em uma passarela com vista para as águas serenas, logo antes do pôr do sol.
Enquanto um quarteto de cordas tocava melodias suaves, modelos adornados com lantejoulas e purpurina — que brilhavam em suas peles e eram aplicadas sobre cabelos volumosos — pareciam retornar para casa descalças, como se tivessem se entregado a uma noite de pura diversão. Para comemorar seu 20º aniversário, a Copenhagen Fashion Week, em parceria com The Climate Pledge, convidou a Collina Strada para ocupar o espaço de convidada global. Diferentemente de muitas outras semanas de moda, Copenhague impõe rigorosos parâmetros de sustentabilidade aos seus participantes.
Taymour, já reconhecida como uma defensora da moda lenta, aceitou o desafio com entusiasmo, optando por utilizar apenas materiais de estoque excedente de seu estúdio. Em um comunicado à imprensa, ela destacou: “Cada look surgiu a partir dessas limitações, provando que restrições podem se tornar catalisadores para a criatividade. A manipulação de tecidos se tornou a base da coleção. Pregas, franzidos, torções, sobreposições, patchwork e escultura de tecidos transformaram materiais familiares em algo extraordinário.”

Com isso, Taymour apresentou um lado mais suave e feminino de seu habitual maximalismo excêntrico. O desfile começou com vestidos feitos de chiffon e tule em tons cremosos, esvoaçando ao vento em uma assimetria encantadora. As cores foram surgindo suavemente nas looks seguintes, com nuances de rosa suave, verdes vibrantes e azuis claros. Taymour fez tingimentos em degradê e patchwork de diferentes cores, estilizando essas novas peças com suas icônicas calças baggy.
Looks marcantes apresentaram fitas cruzadas que começavam a se desfazer ou camadas densas que se assemelhavam a listras texturizadas. A designer explorou o glamour de uma maneira mais evidente do que o habitual; afinal, era uma festa. As modelos exibiram tops de lantejoulas justos, minissaias metálicas e sutiãs brilhantes, combinados com calças cargo oversized. Apesar de toda essa brincadeira, Taymour não abandonou a essência distintiva da marca; o cenário de sonhos em cores candy manteve sua assinatura de angústia.

Ela ajustou silhuetas, desafiando a percepção com assimetrias, esburacou e desgastou bordas. Um tipo de smocking distorcido na cintura revirou um tradicional conjunto de saia em rosa e verde. No meio do hedonismo, havia uma sensação de alegria que permeava as criações de Taymour. Na busca pela criatividade, a cautela foi lançada ao vento. E esse entusiasmo contagiou não apenas os modelos, mas também o público presente.
Sentada entre membros da imprensa americana, muitos dos quais viajaram de Nova Iorque e assistem aos desfiles da Collina Strada a cada temporada, percebi que a maioria dos presentes era local; uma nova leva de devotos de Taymour. A estética e a abordagem da marca encontram ressonância aqui, evidentes nos trajes dos novos admiradores, que usavam óculos de sol oversized e calças cargo, assim como a própria Taymour.
